Meu projeto de um ano, Parte 01: " A gente tem que meter é o louco!"

Antes de mais nada, queria dizer que esse texto tem o intuito de ajudar. Ficarei super feliz se alguém for ajudado pelas experiências que vou transcrever aqui. Minha intenção não é ditar verdades e sim expor o que passei durante esse projeto de um ano. Ah, você que se sentiu ajudado, não precisa compartilhar este texto, ou me agradecer. Não que eu ache ruim, mas prefiro que como recompensa você faça o mesmo, tente ajudar alguém, mesmo que essa pessoa não seja da área.

Outra coisa, já vou pedindo desculpa pelo português, isso nunca foi o meu forte e eu não to com orçamento para pagar uma revisor@, rsrs (EDIT: Ricardo Antonio me deu um Help no texto, Brigadão man!).

Então:


No início de novembro de 2016 resolvi virar Freelancer, assim do nada. Foi uma decisão difícil, eu não havia feito economias nem captado clientes, enfim, eu não havia planejado nada. Mas na minha vida eu sempre tive que arriscar para que as coisas acontecessem, como minha primeira campanha política, onde fiquei encarregado pelo Motion e Finalização sendo que eu NUNCA havia aberto o After Effects na vida. Mesmo assim, aceitei o job já que na época eu não tinha nada a perder. – A Campanha era no interior do Ceará, aproximadamente 300 Km de onde eu morava. Pedi a minha mãe R$ 50,00 da passagem de volta, pois se algo desse errado eu saia correndo e pegava um ônibus hehe. Fiz várias coisas corajosas assim (ou estúpidas, depende da leitura) e depois de muitos erros e acertos eu percebi uma verdade fundamental sobre o meu universo e tudo mais: "A GENTE TEM QUE METER É O LOUCO!"

Eu estava me sentindo estagnado no meu emprego e acho que para um profissional, que vive da criatividade, isso é um pesadelo. Então depois de fazer esta loucura e passar quase um mês sem trabalhar ou fazendo pequenos trabalhos para pagar as contas, eu fui abençoado com uma ideia: “Já que não tenho portfólio, vou me arrebentar para criar um”. Resolvi que durante 1 ano, eu iria criar um vídeo por mês, mas um que quando eu terminasse, me sentiria orgulhoso de colocar em meu portfólio.


 Foto Ilustrativa. Créditos na imagem.

Foto Ilustrativa. Créditos na imagem.

Decidir qual seria o primeiro projeto já foi um desafio. Comecei vendo material do mundo todo, heróis, filmes, algum tema que me prendesse a horas em frente ao computador. Depois de algumas tentativas, sem querer esbarrei em um texto sobre um cangaceiro. Esse texto imediatamente me relacionou a Patativa do Assaré, que foi um poeta muito conhecido no Ceará. Ele cresceu basicamente sem educação e tinha poesias, que mesmo com suas palavras “erradas”, romantizava de uma maneira muito bonita o sofrimento e coragem do povo nordestino.

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Depois de pesquisas e muitas referências, achei que deveria me inspirar com os trampos que acho foda. Fui em busca de profissionais que me agradavam e me faziam dizer “TACAMULESTIA” sempre que assistia algo deles. Fui direto nos trabalhos “modafocas” do Marcel Ziul, Mau Borba (State Design) e do Ariel Costa. Depois de garimpar, achei que essas referências se encaixariam com o que eu tinha em mente. Comecei analisando os materiais, quase que frame a frame e percebi que o buraco era mais em baixo. Eu não fazia nem ideia de como fazer algo semelhante a esses Jobs, mas botei na cabeça o seguinte: Vou tentar chegar o mais perto possível desse nível de qualidade, se eu alcançar 20%, que seja, já foi um baita aprendizado.

Eu nunca havia feito algo tão trabalhoso, me lembro de poucas vezes ter criado a arte do filme e sempre que fazia era um desastre, mas aqui o desafio era outro, eu tinha que criar algo significativo para mim. Pesquisei coisas mais relacionadas a processo de produção, storytelling entre outras coisas que eu nunca havia dado atenção. Enfim achei uma matéria no School Of Motion sobre processo para construção de um curta metragem. Este é o link, comecei meio que a imitar o workflow dele e iniciei o storyboard. “Chessus”, o negócio era feio viu! Refiz tanto que perdi a conta. Mas ele só serviria para me dar uma ideia do escopo do projeto, e me serviu bem. Aqui os frames “bonitos”, rs rs:

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Eu tinha que elevar minhas skills de alguma maneira, então tratei de testar técnicas novas. Nesse vídeo eu apelei pela primeira vez à Cel Animation, foi bem primário o que eu fiz, mas já serviu para dar um aspecto “handmade” à animação. Esse aspecto era importante para fazer uma ligação visual ao Nordeste onde o artesanato é muito forte.

 

Neste vídeo, também trabalhei o 3D mais como auxilio ao 2D. Aplicar texturas 2D em um ambiente 3D me deu liberdade de câmera:

cena 01.gif

E também liberdade para criar alguns efeitos que eu não fazia a mínima ideia de como criar em 2D.

Transicao.gif
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Cena 06.gif

Entra idas e vindas e alguns tropeços, cheguei a esse resultado:

Após mostrar para alguns amigos, ter feedbacks positivos e sentir essa satisfação que ainda não havia provado, de ter um filme legal sendo concebido do início ao fim por minhas mãos, firmei o compromisso comigo mesmo de seguir em frente.

Impulsionado pelo sucesso pessoal do vídeo do Patativa e pela deficiência que senti na parte de Design, decidi entrar na School of Motion e fazer o Design Bootcamp. Foi uma grana que desembolsei, mas como dizia o “poeta” Andrew Kramer: “invista em você mesmo”. Quebrei o cofrinho e paguei pelo curso, começando em janeiro junto com o próximo projeto, uma releitura da Main Title de um filme que eu gostava muito. O problema era que o curso tinha uma carga horária puxada e eu não queria desistir do projeto logo no começo. Era foda conciliar a vida pessoal com esse trampo e foi aí que entrou minha esposa Keliane, – vou aproveitar para agradecê-la publicamente, porque sem o apoio e a paciência dela eu não teria terminada nada disso. Pois apesar de todos os problemas e desafios ela não deixou de me apoiar um frame se quer. Muito obrigado Nega” Um xero no cangote. Te amo Pacas.


O que eu achei que seria um problema acabou sendo uma benção. Eu sabia que tinha um defeito muito grande em relação a design, porque comecei estudando errado, sempre fui um cara que “manjava do programa” e isso estava me resumindo a um “apertador de botões”. Então ai vai um concelho que recebi do meu sensei Felipe Seabra, grande 3D generalista hoje aposentado/trocou de missão, que por ser lento demorei a entender hehehe:

Aprenda a aprender, otimize seu aprendizado estudando da maneira certa

Parece meio óbvio né? Mas ainda vejo uma “pá” de gente se enfiando no software antes de aprender o básico, como o que é cor complementar, por exemplo. E se você consegue equilibrar isso, seu aprendizado é otimizado. Então nem preciso dizer que o curso explodiu minha mente nesse sentido.

E sempre fazendo relação com o que ia prendendo no curso, fui criando Styleframes (foi ai que conheci esse danado) do projeto sobre a releitura da intro do Dirty Harry. O processo foi o mesmo, referências, depois styles e depois animação.

Nas referências eu acabei indo para vários estilos e fui captando um pouco de cada e implementando na história e conceito que uma intro deve ter. 

Esse vídeo em particular, me trouxe um problema bem peculiar: Como sair de um Styleframe para um vídeo final? Esse processo de transição do estático para a animação eu tive que desenvolver. Se você perceber, o vídeo final está diferente dos Styles. Eu basicamente não consegui reproduzir o visual que fiz no Photoshop para o AE. Apesar do problema, eu precisava entregar o material, pois o mês de janeiro já estava acabando. Resolvi que era melhor finalizado do que engavetado.

Aqui o video final.

Mas na soma de tudo, acabou que não foi de todo ruim, aprender como se produzir uma peça desde seu início até o seu final é algo muito precioso, profissionalmente falando. Esse foi o segundo que fiz.

Com esse vídeo eu comecei a entender uma frase de Timothy Samaraque que li a muito tempo:

As regras podem ser quebradas, mas não podem ser esquecidas

Eu nunca dei muito valor ao design porque sempre achei que não precisaria disso, tipo quando assistia as aulas sobre parábolas e vetores na escola e achava que nunca iria usar isso em vida. Meus professores hoje riem da minha inocência, eu tenho certeza. Depois disso tudo, a sensação que tinha era de que aprender as regras era um guia que eu tinha ganhado para ser criativo. Essas regras me ajudavam a entender como a ideia surgia e como eu poderia guiar minha linha de raciocínio, como eu poderia usar ela para resolver um problema, ganhar dinheiro e consequentemente pagar os boletos. Mas, logo descobri que isso não é uma ciência tão exata assim.

Nem tudo são flores e os tropeços fazem parte, porque não dizer: São extremamente necessários.

Vou parando por aqui para que a matéria não fiquei muito chata. Em alguns dias solto a Parte 2 de 3 dessa sequencia.

Vlw Galera um abraço!