Meu projeto de um ano: " A gente tem que meter é o louco!"

Antes de mais nada, queria dizer que essa materia é com o intuito de ajudar alguém, vou ficar super feliz se uma pessoa for ajudada por as experiencias que vou escrever aqui, minha intenção não é "cagar" verdades, é so expor o que passei durante esse ano nesse projeto. A você que se sentiu ajudado, não se sinta na obrigação de compartilhar isso, ou me agradecer, não que eu ache ruim isso, mas prefiro que como recompença você faça o mesmo, tente ajudar alguem, mesmo que essa pessoa não seja da area.

Outra coisa, já vou pedindo desculpa pelo portugues, concordancia principalmente sempre foi meu calcanhar de aquiles, e não to com orçamento para pagara uma revisor@, rsrs.

Então:

No inicio de Novembro do ano de 2016 eu resolvi virar Freelancer. Assim do nada. Foi uma descisão dificil, eu não tinha planejado nem nada, mas na minha vida é uma sequencia de descisões loucas, desde a minha primeira campanha politica quando eu fui engarregado de todo o Motion e Finalização e mesmo sem nunca ter aberto o After Effects aceitei o job.

Pode ter parecido loucura, mas pra quem ganhava a vida com um salario minimo, trabalhar em uma campanha politica e ganhar uma grana boa me pareceu tentador, já que eu não tinha nada a perder, "meti as caras". Dessa vez não podia ser diferente, eu tava me sentindo estagnado no emprego onde eu estava, e eu acho que para um profissional que vive de criatividade esse é o pior pecado. Então depois de fazer essa loucura e passar quase um mês sem trabalhar, ou fazendo trabalhos que so serviam pra pagar as contas, eu fui abençoado com uma ideia. "já que eu não tenho portfolio foi me arrebentar e criar um". Ai resolvi que durante um ano iria criar um video por mês, mas um video que quando eu terminasse eu me sentiria orgulhoso de colocar ele em meu portfolio. 

Decidir qual seria o primeiro video já foi o primeiro desafio. Como começar? Comecei vendo coisas do mundo todo, herois, filmes, algum tema que me desse vontade de passar horas na frente do computador. Depois de algumas tentativas, sem querer me esbarrei em um texto sobre um cangaceiro.

Foto Ilustrativa. Créditos na imagem.

Foto Ilustrativa. Créditos na imagem.

Esse texto imediatamente me relacionou a Patativa do Assaré, que é um poeta muito conhecido no Ceará. Cresceu basicamente sem educação e tinha poesias, que mesmo com suas palavras "erradas" romantizava de uma maneira muito bonita, o sofrimento e a coragem do povo nordestino.

Depois de muita pesquisa, muitas referencias, quase que todas da State Design e Ariel Costa.

Eu resolvi começar o processo de Styleframe ( o termo Styleframe eu só vim conhecer um mês depois, mas essa é outra historia) 

 

------ ver se tenho algum processo de making of --------

Durante o processo eu sempre me deparava com o problema de que: eu não queria demonstrar sofrimento, mas sim coragem e porque não alegria de ser nordestino, apesar do sofrimento, e encontrei nas cores vibrantes e quentes e em uma animação rápida e dinâmica a forma de retratar um pouco de "hapiness" e isso iria contrastar bem com o estereotipo do povo nordestino, não como um povo sofrido, mas como um povo corajoso, como diz no poema de Patativa. Depois de algumas tentativas cheguei a um look que me agradou e parti para animação.

 

Aqui nesse video eu tentei pela primeira vez cel animation, foi bem primario o que eu fiz, mas já serviu para dar um aspecto "handmade" a animação, por ser nordestino e ter morado la a vida toda, eu sei que o artesanato nordestino é algo extremamente forte. Achei que fazendo isso eu podia relacionar uma coisa com a outra.

Nesse video tambem trabalhei o 3D mais como um auxilio ao 2D do que como estetica, aplicar as texturas 2D em um ambiente 3D me deu liberdade de camera:

----Gif com a break da cena 01---

Depois de mais algumas tecnicas de mesclagem

------ colocar aqui cena da fome na viewport do cinema ------  mais cena de making -----

Cheguei a esse resultado:

Depois de mostrar para alguns amigos e ter feedback positivo, e de sentir uma satisfação que não tinha provado ainda, firmei um compromisso comigo mesmo, de ir em frente. Entre trancos e barrancos foi dando certo.

No mês de janeiro, impulsionado pelo sucesso pessoal do video do Patativa, decidir entrar na School of Motion e fazer o Design Bootcamp, foi uma grana que desembolsei, mas como dizia o poeta Andrew Kramer "invista em você mesmo", então quebrei o cofrinho e paguei pelo curso, e comecei junto com isso o projeto do mês de Janeiro. Que era uma releitura de um filme que eu gostava muito. O problema foi que o curso tinha uma carga horaria bem puxada e eu não queria desistir do projeto logo no começo, tava foda conciliar a vida pessoal e esse projeto, é ai onde entra minha esposa, que vou aproveitar para agradecer aqui publicamente, porque sem o apoio e paciencia dela eu não teria terminado nada disso. Porque apesar de todos os problemas e desafios, não deixou de me apoiar um frame se quer! Muito obrigado Nega! um Xero no cangote! Te amo pacas! S2. 


O que eu achei que seria um problema, acabou sendo uma benção. Eu sabia que tinha uma deficiencia muito grande com relação a design, porque eu comecei a estudar errado, sempre fui um cara que "manjava do programa", e isso estava me resumindo a um apertador de botão, então ai vai um conselho que recebi do meu sensei Felipe Seabra ( grande 3D Generalista, hoje aposentado/trocou de missão) que por ser lento demorei a entender hehehe:

Aprenda a aprender, otimize seu aprendizado estudando da maneira certa.

Parece meio obvio né? Mas ainda pego uma pá de nego se enfiando no software antes de aprender o que é composição por exemplo. E se você consegue equilibrar isso acho que seu aprendizado é otimizado. Então nem preciso dizer que o curso explodiu minha mente nesse sentido!

E sempre fazendo relação com o que ia aprendendo no curso eu fui criando os Styleframes ( foi ai que conheci esse danado) do projeto sobre a releitura da intro do Dirty Harry. O processo foi o mesmo, Referencias, depois styles e depois animação.

Nas referencias eu acabei que viajei por varios estilos, e fui catando um pouquinho de cada e implementando na historia que uma Intro precisa ter. Aqui o link do Board no Pinterest que usei como referencia - https://br.pinterest.com/lamequefelix/title-sequences/

Esse video em particular me trouxe um problema bem peculiar, como sair de um Style Frame para um video final? Esse processo de transição do estatico para a animação foi o que tive que desenvolver, se voce perceber no video final ele esta diferente dos Styles. Apesar do problema eu precisava entregar o video, pois o mes de Janeiro já estava acabando. Então resolvi que era melhor finalizado, mesmo que não fosse perfeito, do que engavetado. Aqui o video final.

Mas na soma de tudo acabou que não foi de todo ruim, aprender como se produz uma peça desde o inicio até o final é algo muito precioso, profissionalmente falando. Com esse video eu comecei a entender uma frase de Timothy Samaraque que li a muito tempo:

As regras podem ser quebradas, mas não podem ser esquecidas

A sensação que tinha era que aprender as regras era um guia que eu tinha ganhado para ser criativo, essas regras me ajudavam a entender como a criatividade surgia e como eu podia usar ela para resolver um problema, ganhar dinheiro e consequentemente pagar os boletos. 

E esse foi o começo (mais ou menos) desse projeto louco, mas nem tudo foram flores. Na segunda parte vou abordar os tropeços, aqui o link: